Quebra-cabeça e planejamento de comunicação: o que eles têm em comum?

Quebra-cabeça e planejamento de comunicação: o que eles têm em comum?

Imagine que te deem um desafio: montar um quebra-cabeça de 1.000 peças. Agora, imagine que esse desafio aconteceu em dois cenários diferentes. No primeiro, todas as peças estão misturadas e você não tem acesso à imagem que precisa montar. No máximo, foi informado sobre as características dela, mas cabe à sua imaginação saber como ela é. No segundo cenário, você tem acesso à exata imagem do quebra-cabeça e tem direito, também, a organizar as peças da maneira como achar melhor – por cor, por formato ou de qualquer outro jeito que facilite o processo. Independentemente do nível de dificuldade do quebra-cabeça, em qual dos dois cenários haveria maior chance de se obter um resultado mais assertivo e de maneira mais eficiente? Bom, eu espero que você tenha escolhido a segunda opção. Mas o que isso tem a ver com planejamento de comunicação?

É comum recebermos demandas de clientes que têm pressa em iniciar a comunicação, pois precisam de resultado. Se estivermos falando de marketing digital, a urgência do cliente pode ser percebida com a seguinte frase: “conseguimos começar na próxima semana?”. É claro que, nem sempre, o cliente vai ter consciência sobre o processo de um trabalho de comunicação – e nem cabe a ele ter essa consciência -, mas cabe a nós, profissionais de comunicação, adotarmos processos estratégicos que sejam colocados em prática independentemente da urgência do cliente, além de orientá-lo e explicar que “começar na próxima semana” não é indicado.

Mas por que não é indicado? Bem, iniciar um trabalho de comunicação sem conhecer o cliente e sem ter tempo de aplicar uma metodologia estratégica equivaleria ao primeiro cenário do desafio do quebra-cabeça, já que o trabalho aconteceria de maneira aleatória, consistindo em pensar em uma linha editorial, em definir os melhores canais de comunicação e o tom de voz ideal para o cliente sem ter familiaridade com ele, com o seu público-alvo e, talvez, sem nem ter muita clareza dos reais objetivos a serem atingidos com o trabalho de comunicação. É possível trabalhar desse jeito? Não vou falar que não, mas, muito provavelmente, os resultados demorariam mais para serem percebidos, afinal, o que direcionaria o início do projeto seriam as percepções do cliente sobre o próprio negócio (que, por mais certas que fossem, seriam restritas), enquanto o conhecimento e o entendimento real sobre o nicho a ser trabalhado aconteceria durante a execução do projeto, embasado nos erros e acertos da prática.  

E como seria se o segundo cenário do quebra-cabeça fosse aplicado ao projeto de comunicação? Bem, imagine que ter acesso à exata imagem a ser montada é o equivalente a conhecer muito bem o cliente, os concorrentes e o público-alvo, o que faz com que o trabalho não seja pautado na imaginação, mas em fatos. Agora, pense que a possibilidade de organizar as peças antes de iniciar a montagem seja a mesma coisa de aplicar metodologias para se trabalhar a estratégia do projeto. A maneira como é feita a organização das peças – ou a metodologia que será adotada – não é o mais relevante, já que cada profissional é livre para adotar a que mais se identifica. O que importa, mesmo, é ter acesso às informações e poder utilizar ferramentas que orientem a análise dessas informações, embasando a geração de ideias e tornando a execução do projeto mais eficiente e assertiva.  

Isso significa que, quando há um planejamento, entendimento e aplicação de metodologia, não há erros e tudo é aprendido antes de ser colocado em prática? Não! Erros sempre poderão existir, assim como as dificuldades, a diferença é que, quando o planejamento acontece, eles podem ser prevenidos, previstos, contornados ou até reconhecidos de uma forma mais fácil, já que a familiaridade com o que se está trabalhando é maior.

Então, quando um cliente solicitar o início de um trabalho de comunicação com urgência, mostre que, embora seja mais rápido iniciar a execução sem estratégia, as dificuldades e mudanças de rumo que se farão necessárias durante o processo não compensarão, sendo válido, portanto, adiar o início da execução e garantir tempo para o planejamento, minimizando os riscos de erro (e de crises!) no meio do caminho.

Afinal, é sempre mais fácil montar um quebra-cabeça quando se pode organizar as peças e ter acesso à imagem, certo? 😉

Tânia d'Ávila

Ansiosa como uma legítima paulistana e autêntica como uma verdadeira relações-públicas. Chocólatra, taurina e são-paulina. Apaixonada pelo mundo das marcas, tem experiência em planejamento estratégico de branding, relações públicas e marketing digital. É consultora de comunicação e escreve artigos relacionados à área. É graduada em Comunicação e Marketing com ênfase em Relações Públicas pela FAAP, pós-graduada em Marketing e Comunicação Integrada pelo Mackenzie e cursou Docência e Metodologia de Ensino Superior pela FGV.

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