#BIYP – Como meus pais influenciaram minha carreira?

#BIYP – Como meus pais influenciaram minha carreira?

Meus pais sempre participaram ativamente dos meus ideais de vida e de trabalho. Se eu tivesse que resumir o legado mais importante eles me ensinaram ao longo de toda uma vida eu digo, com certeza, que foi ter fé!

A maior herança que ganhei dos meus pais foi aprender a ter fé em algo maior. Fé para acreditar em mim e não esquecer quem sou. Não esquecer a minha essência.

Nasci em uma família com forte religiosidade. A prática da fé está no nosso DNA e faz parte do nosso metabolismo assim como a respiração e os batimentos do coração. Essa fé é a espinha dorsal que sustenta a minha vida desde o nascimento até hoje e, provavelmente por toda a existência. É meu alicerce para enfrentar situações e pessoas difíceis que encontro ao longo do caminho. Tenho lá minhas dificuldades, afinal não vivo no Nirvana, mas diante dos conflitos consigo buscar a serenidade, parar para pedir sabedoria antes de agir e, principalmente, ME COLOCAR NO LUGAR DOS OUTROS antes de decidir o que fazer.

Aprendi a Lei da Causa e Efeito. Colhemos o que plantamos. Fazendo o bem ele volta para nós, assim como o mal, sem escalas. Meus pais ensinaram que não viemos aqui a passeio e que precisamos trabalhar para evoluir e crescer.

Comecei a pensar em trabalho aos 15 anos quando um teste vocacional revelou uma intensa vontade de ajudar as pessoas. Foi o que me levou a escolher o jornalismo. Parece incoerente. Daí você pensa: “Porque ela não fez medicina, fisioterapia, psicologia ou assistência social”?

Também já pensei nisso. Seria óbvio. Mas não foi assim!

Eu não queria ajudar uma pessoa, mas uma multidão! Como fazer isso?

Então, por influência dos meus pais, dois “devoradores de notícias”, o jornalismo começou a chamar a minha atenção. Assistia tudo sem preconceitos. Comparei os conteúdos dos telejornais, mergulhei em jornais impressos, noticiário de rádio, devorei revistas de grande circulação e qualquer canal que fosse fonte de informação.

Depois de descobrir o jornalismo tudo passou a fazer sentido. Eu percebi nos repórteres a vocação para ajudar as pessoas durante coberturas de acidentes, incêndios e catástrofes. Como o trabalho deles era útil para esclarecer as famílias e amigos daquelas vítimas. Eu vibrava! Decidi que queria ser repórter “de rua”, como eu costumava dizer, e cobrir o dia a dia da minha cidade que nunca foi tranquila. Eu me referia à adrenalina, ao faro jornalístico de buscar notícias, investigar. Era isso mesmo o que eu queria!

A vontade de ajudar foi uma influência dos meus pais. Uma de minhas recordações me leva aos “passeios” que fazíamos. Como corretor de seguros meu pai atendia grandes clientes comercias nas companhias onde trabalhou. Sinistro era a rotina dele. Bastava acontecer um acidente para ele botar todo mundo no carro e ir para o local.

Eu vi de perto o incêndio do Andraus (1972), do Joelma (1974), do Conjunto Nacional (1978), da Fábrica de Móveis Brasil, entre tantos outros. Senti o calor do fogo. Vi o desespero e o medo estampado no rosto das pessoas. Meu pai pensava que não deveríamos (eu e meus irmãos) ser poupados de nada. A vida estava lá para ser vivida em sua plenitude e realidade. Ele dizia que quando ficássemos “grandes” iríamos lembrar daquilo e saberíamos o que fazer.

E foi assim, sempre. Corri bairros e bairros atrás de balão de festa junina para ver aonde cairia e se não teria um “sinistro”. Socorri várias vítimas de acidentes que o meus pais colocavam no carro junto com a gente direto para o Pronto Socorro. Eles nunca se negaram a ajudar nem tiveram medo de qualquer consequência. Se foi loucura? Não sei. Só sei que aprendi muito sobre a vida real, sobre o sentimento humano, sobre caridade e voluntariado.

Não me esqueço que nas ondas da vida, quando estiver por baixo é preciso ter fé para lutar e subir. E, quando estiver lá em cima lembrar de agradecer e de estender as mãos para quem vier atrás.

Não cheguei a ser “repórter de rua” como era o meu sonho porque fui seduzida pelo mundo corporativo, mas me sinto realizada como jornalista, filha da Maria e do Torquato. #gratidão

BIYP

A inspiração para esse artigo veio de uma pesquisa realizada pelo LinkedIn com mais de 20 mil pessoas em 18 países para descobrir quando e por que os pais deixaram de se engajar na vida profissional dos filhos. O levantamento faz parte da campanha Bring In Your Parents Day, que tem o objetivo de promover uma aproximação entre funcionários e familiares no ambiente de trabalho.

Catarina de Melo

Jornalista graduada pela FMU/FIAM (1990) e pós-graduada em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais pelo SENAC-SP (2015) com mais de 25 anos de experiência em comunicação integrada e digital. Diretora executiva da dmelo comunicação convergente. Contato:​ catarina@dmelocomunicacao.com.br

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