Uma marca deve se preocupar com a sua imagem, mas não antes de conhecer a sua própria identidade

Uma marca deve se preocupar com a sua imagem, mas não antes de conhecer a sua própria identidade

Frequentemente, dizem que é necessário cuidar da imagem de uma marca, principalmente em tempos de redes sociais.

Nessa fala, há uma grande armadilha: levar em consideração apenas a imagem da marca pode ser um equívoco, já que a imagem é algo que deve ser construída naturalmente, como reflexo da sua identidade.

Para ficar mais claro, vamos aos conceitos:

1. Identidade é o DNA da marca – é a essência dela, a promessa, o posicionamento, os valores, enfim, são características que formam a personalidade e a crença da empresa;

2. Imagem é a forma como as pessoas enxergam a marca. E o que forma a imagem é o comportamento que a marca tem, mas esse comportamento deve estar estritamente ligado à sua identidade.

Então, quando dizem que é necessário preservar a imagem da marca, não basta, apenas, ter discursos que irão agradar o público se eles não estiverem alinhados com a identidade da marca.

Com as redes sociais, as marcas estão cada vez mais vulneráveis, o que significa que a qualquer momento a marca pode errar ou pode surgir um boato que gere uma crise. Mas se a marca tiver um “autoconhecimento corporativo”, se pudermos chamar assim, fica muito mais fácil reverter a situação e fazer com que o impacto seja menor.

Por quê? Porque se a marca não apenas falar que é uma coisa ou que faz algo, mas de fato ser aquilo e fazer aquilo, irá gerar credibilidade e confiança, fidelizando os clientes e construindo mais do que uma boa imagem. Construindo uma boa reputação.

A grande questão é que, em muitos casos, a marca não tem esse “autoconhecimento”, ou seja, a identidade dela não é clara para os seus gestores.

Assim, em primeiro lugar, as marcas devem se preocupar em ter uma identidade consistente – e quando digo consistente, é necessário que ela tenha apenas um posicionamento e que essa mesmo posicionamento seja colocado em prática nos mais variados canais de comunicação e pontos de contato da marca.

Claro, de maneiras diferentes, já que não dá para exigir que uma marca tenha exatamente as mesmas atitudes no canal digital e no canal off-line – são plataformas diferentes, com recursos diferentes, com propósitos diferentes.

Mas se a identidade dela for clara para todos os profissionais da empresa, ficará mais fácil transpor o posicionamento dela para todos os canais, respeitando as peculiaridades de cada um.

Agir dessa forma também é essencial para a imagem da marca, já que ajuda na credibilidade, criando, no público, a sensação de “eu conheço aquela marca, eu confio, eu sei como ela age, eu não vou ter surpresa”.

Então, ter um posicionamento consistente, ter um discurso e atitudes alinhados à identidade, são maneiras de construir – e preservar – a tão falada imagem de uma marca. 

Portanto, ao invés de falar que a marca precisa se preocupar com a imagem dela, vamos falar que, antes, a marca precisa se preocupar – e conhecer – a sua própria identidade.

Tânia d'Ávila

Ansiosa como uma legítima paulistana e autêntica como uma verdadeira relações-públicas. Chocólatra, taurina e são-paulina. Apaixonada pelo mundo das marcas, tem experiência em planejamento estratégico de branding, relações públicas e marketing digital. É consultora de comunicação e escreve artigos relacionados à área. É graduada em Comunicação e Marketing com ênfase em Relações Públicas pela FAAP, pós-graduada em Marketing e Comunicação Integrada pelo Mackenzie e cursou Docência e Metodologia de Ensino Superior pela FGV.

Related Posts
Leave a reply