Se é de marca, é de luxo. Ou não.

Se é de marca, é de luxo. Ou não.

Quando se fala em marca, automaticamente se pensa em luxo, em grife, em alto custo. E a famosa expressão “isso é de marca” ajuda a disseminar essa ideia, já que deixa subentendido que, se é “de marca”, tem glamour.

Em contrapartida, há outras pessoas que afirmam categoricamente que não se importam e não gostam de marcas. Tudo bem, sei que existem pessoas completamente desapegadas e minha intenção, aqui, não é julgar esses comportamentos, mas, muitas vezes, quando alguém diz que não se importa com marca, talvez seja, justamente, por essa ideia enraizada de que marca é luxo. E, ainda talvez, essa mesma pessoa não abra mão de determinado perfume. Ou só goste de consumir determinada marca de alimento. E como essas marcas fogem do estereótipo de grife, passa despercebida a percepção de que, sim, esse consumidor se importa e é fiel a determinadas marcas. E é normal que ao comer um mesmo alimento, mas de marcas diferentes, você prefira o sabor de um do que de outro. Também é normal existir uma identificação com algum cheiro de perfume que só tem em determinada marca. Indo mais além, marcas que abraçam uma causa podem atrair diversos consumidores que defendem a mesma causa. E esses fatores, automaticamente, fazem com que um consumidor se torne fiel a ela.

Se pensarmos na sua jornada, desde o momento em que você acorda até o momento em que vai dormir, com quantas marcas você se relaciona? Vale produtos de higiene, cosméticos, eletrônicos, roupas, materiais de papelaria, comidas/restaurantes, programas de televisão, sites/redes sociais que acessa constantemente, entre tantos outros e incontáveis segmentos que, naturalmente, fazem parte do nosso dia a dia.

E, dessas, quais são, efetivamente, de luxo? Talvez nenhuma. Ou poucas. E quais você dá preferência na hora da compra, isto é, quais dessas tem você como consumidor fiel? Vamos pensar juntos: No momento em que você vai comprar um shampoo, talvez você opte por Seda Ceramidas, Dove ou Pantene; Pasta de dente, talvez você escolha a Close Up. Ou Sorriso. Ou Colgate; Maquiagem? Pode ser que você tenha em sua nécessaire Maybeline, Vult e O Boticário. Ou pode até ser que nenhuma dessas te represente, mas, com certeza, você conhece todas elas. E, provavelmente, já teve experiência com alguma delas. Nenhuma dessas é de luxo. Todas essas são marcas.   

Nesse caso, não chamo de marca somente as que possuem um trabalho de branding. Também não restrinjo essa denominação às que sabem trabalhar estrategicamente a sua comunicação. Um nome, um logotipo, um produto para vender – seja pela internet ou fisicamente – é o suficiente para estabelecer um relacionamento com o cliente e, portanto, ser considerada uma marca. É claro que marcas bem estruturadas, e com a sua construção e gestão constantemente trabalhadas, apresentam um nível de maturidade maior e, consequentemente, um engajamento e relacionamento com o cliente mais consistente, atingindo melhores números de conversão. Mas engana-se quem pensa que apenas as marcas de luxo se preocupam com essa estrutura. Por isso, mesmo que o trabalho de branding fosse um critério, diversas marcas populares continuariam tendo o direito de serem chamadas de marcas. Enquanto algumas marcas de luxo perderiam esse status.

Portanto, quando você ouvir alguém falando que algum produto não é de marca, saiba que não é verdade. Ele é de marca, sim. Popular ou de luxo. Conhecida ou desconhecida. Mas tenha certeza: é de marca!

Tânia d'Ávila

Ansiosa como uma legítima paulistana e autêntica como uma verdadeira relações-públicas. Chocólatra, taurina e são-paulina. Apaixonada pelo mundo das marcas, tem experiência em planejamento estratégico de branding, relações públicas e marketing digital. É consultora de comunicação e escreve artigos relacionados à área. É graduada em Comunicação e Marketing com ênfase em Relações Públicas pela FAAP, pós-graduada em Marketing e Comunicação Integrada pelo Mackenzie e cursou Docência e Metodologia de Ensino Superior pela FGV.

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